“Visual é só um dos suportes do sonho”

 

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Por Olivia von der Weid

“Visual é só um dos suportes do sonho: práticas e conhecimentos de vidas com cegueira”

Quem confunde o sonho com o visual confunde o livro com o papel em que está escrito. Visual é só um dos suportes do sonho. (Dora)

No doutorado defendi a tese de que a cegueira tem um modo singular de habitar o mundo. Nas relações que pessoas que não enxergam desenvolvem com o ambiente e com as outras pessoas, são geradas não apenas habilidades específicas, mas também formas particulares de significação.

            Não desenvolvi uma sociologia dos cegos, não faço uma antropologia da marginalidade ou do estigma, apesar dessas dimensões estarem, em alguma medida, presentes. Existem muitas barreiras na experiência da cegueira – as barreiras do preconceito, as barreiras da falta de acessibilidade, as barreiras de comunicação, já que a maior parte dos meios e das interfaces utilizados atualmente são visuais. Sem deixar de reconhecer barreiras, na tese enfatizo as passagens. Falo das formas de ser encontradas por pessoas cegas, das brechas que descobrem para seguir, como fazem para permanecer e os conhecimentos produzidos nesses movimentos de resistência e continuidade. Ao invés de priorizar barragens, pedras ou aquilo que para o movimento, meu enfoque ao observar a vida, as ações e as percepções de pessoas cegas é o rio, aquilo que flui por entre as margens.

            Todos os elementos da tese estão constituídos por uma dupla entrada fundamental. Por um lado, entender as percepções e as formas de estar no mundo de pessoas cegas – tanto pelos textos que procuram definir a cegueira e seus efeitos para o desenvolvimento, quanto pelas práticas que fazem a cegueira, pelas ações cotidianas de pessoas cegas e as suas formas de saber-fazer. Por outro lado, ao tentar compreender a cegueira, procuro também problematizar a visão como o sentido regulador das experiências e das relações. A segunda aproximação me leva a questionar o que as experiências de vidas com cegueira podem nos dizer sobre a realidade, para além de seu aspecto visual.

            Os objetivos que me propus buscam, em alguma medida, avançar na compreensão do papel da percepção sensorial no desenvolvimento de formas de estar no mundo. A pesquisa pode ser entendida como parte de um projeto maior em antropologia proposto por Thomas Csordas, em que se procura fazer uma aproximação metodológica e analítica do corpo não como um objeto a ser estudado em relação com a cultura, mas antes considerar o corpo como sujeito da cultura ou como o lugar existencial da cultura.

            Uma das primeiras – e talvez a maior – dificuldade que me deparei foi a de como lidar com a complexidade da cegueira enquanto objeto de estudo, ou com aquilo que chamei de polifonia do objeto. Uma pesquisa sobre a percepção de mundo de pessoas cegas não é tanto pesquisar um grupo social urbano que se delimita por condições de proximidade – estilo de vida, hábitos e costumes, classe social, local de habitação ou locais que frequentam, como por exemplo, “os imigrantes de determinado bairro”, “os músicos de jazz” ou “os adeptos do swing”. Ao mesmo tempo, não é percorrer uma distância para viver por um período determinado em uma sociedade que se delimita tanto espacial quanto culturalmente – diversas tribos indígenas, população ribeirinha ou quilombolas. Viver como eles vivem, fazer as coisas como eles fazem, e depois retornar.

            A cegueira por si só não constitui um grupo cultural específico. A experiência do estigma, as projeções que a sociedade deposita em pessoas que são cegas, certamente as une. Mas nem por isso elas têm o mesmo estilo de vida, os mesmos hábitos, frequentam os mesmos lugares ou pensam o mundo de forma parecida. O que as aproxima é uma condição corporal comum, o fato de não enxergarem, que implica em formas de perceber, pedagogias, técnicas, significações, estratégias particulares para se viver em um mundo que majoritariamente enxerga. O ponto em comum entre pessoas cegas e que as torna foco de interesse para a pesquisa é o compartilhamento de uma condição corporal específica, que afeta seus modos de estar no mundo.

            No horizonte do que significa ser cego atravessam definições e práticas médicas, pedagógicas, sociais, institucionais. Todos esses locais estão ao mesmo tempo sendo produzidos e contribuindo para produzir a cegueira. A complexidade do objeto me colocava questões difíceis de serem contornadas: Como “enquadrar” o significado da cegueira? É uma condição social? Uma condição física? Quais os efeitos dessa condição para o aprendizado e para as formas de estar no mundo de quem não enxerga? Como circunscrever o meu objeto de pesquisa a uma determinada área disciplinar? A cegueira se constrói no espaço entre os discursos, entre os corpos, entre as representações e as vivências dos corpos. É uma experiência que está entre natureza e cultura, é tanto biológica quanto social.

            Posso delinear três caminhos que abri para lidar com tal complexidade. O primeiro, que desenvolvo especialmente no primeiro capítulo, foi a aproximação e o diálogo que busquei estabelecer com outras disciplinas que tratam da temática da cegueira – não tanto para realizar uma antropologia do campo científico, mas como uma tentativa de melhor compreender e definir meu objeto de análise.

            Sem desconsiderar o caráter construído de qualquer definição, procuro também ter em conta a multidisciplinaridade da cegueira a partir de uma perspectiva relacional com as outras ciências. Nas definições de cegueira apresentadas pela oftalmologia, neurociência ou ciências cognitivas, busco um tipo de entendimento sobre o objeto, para além da desconstrução dos discursos. O status das outras ciências é também de aprendizado, considerando que o conhecimento produzido por elas, certamente situado histórica e socialmente e produtor de normatividades, também possui materialidades e efeitos que permitem compreender como as realidades da cegueira são vividas.

            O segundo caminho que percorri foi uma virada para a prática, para as ações e para as formas de saber-fazer de pessoas cegas. Múltiplas cegueiras são feitas em diferentes práticas: no diagnóstico oftalmológico, nos textos científicos e nos manuais pedagógicos, em atendimentos nos centros de reabilitação, na vida cotidiana de pessoas cegas. Repercutindo as preocupações de uma ontologia prática, procuro abordar a cegueira a partir da multiplicidade de sua realidade, a fim de compreender como essas versões são coordenadas nas práticas. O segundo caminho me levou a uma análise dos manuais de desenvolvimento e aprendizagem de crianças cegas, a um acompanhamento etnográfico dos atendimentos realizados na área de reabilitação do Instituto Benjamin Constant e a visitas a dois apartamentos de pessoas cegas, para entender, pelas suas ações e na prática, a forma como organizam seu cotidiano doméstico.

            Ao falar da percepção e do estar no mundo de pessoas cegas procuro captar uma lógica que, nos termos de Bourdieu, se efetua diretamente na ginástica corporal e nas práticas. Trato de coisas sensíveis, disposições que aparecem em ato, na relação com uma situação.  Generalidades agidas e não necessariamente representadas. Entendendo a percepção como um fenômeno a ser compreendido no contexto da ação e da incorporação, como uma palavra que indica uma direção ao invés de uma função primitiva, um dos referenciais teóricos é a compreensão fenomenológica de corpo de Merleau-Ponty, principalmente pela influência dessa concepção na obra de autores mais contemporâneos como Bourdieu, Csordas e Ingold.

            Minha primeira entrada no campo se deu em uma oficina de teatro para atores cegos e não cegos, em que fui uma das participantes. Durante essa oficina realizamos exercícios teatrais que tinham a proposta de fechar os olhos para colocar a todos na mesma condição corporal de não visão. Vivenciar a oficina provocou diversos questionamentos incorporados. Seguir esses estímulos e inervações me levou ao terceiro caminho que abri para lidar com a complexidade da cegueira – desenvolver um modo de conhece-la de dentro.

            No início do campo fecho os olhos motivada por um exercício de experimentação, mas a partir de uma conversa que tive com uma das pessoas cegas, a estratégia de vendar os olhos se transforma em um mecanismo mais consciente de investigação e direcionamento da atenção. Ela me contava sobre o processo gradual de adaptação de uma amiga à perda da visão. Procurando ajudá-la a superar sua insegurança em relação ao deslocamento nas ruas, ela propõe à amiga que realizem uma experiência. Levou-a para caminhar na calçada de um quarteirão onde havia um muro a frente. Sem alertá-la do muro, deu a instrução para que a amiga caminhasse prestando atenção aos sons e avisou que ela devia parar se escutasse algo diferente. A pesquisada conta que, a partir da experiência, a amiga foi capaz de identificar corporalmente o obstáculo, conseguiu ouvir o som do muro e parar antes de dar de encontro a ele.

            Considero que esse relato inaugura a possibilidade de tratar não exatamente o pensamento, mas a corporeidade nativa, como uma atividade de simbolização ou uma prática de sentido (Viveiros de Castro, 2002). Naquela conversa entendi também que seria fundamental para tentar compreender a forma de estar no mundo de pessoas cegas que eu desenvolvesse uma atenção corporal para essa forma – atenção sonora, atenção para o deslocamento.

            A ideia de que é possível ouvir o som do muro e transformar essa escuta em guia para a locomoção começa a me interessar porque diz algo sobre os seres humanos que fazem isso. Ouvir o som do muro afirma algo sobre a noção de percepção. Afirma que o ato de se locomover inclui, para pessoas cegas, uma atenção e uma escuta a sinais como o som do muro. O que pessoas cegas estão dizendo quando afirmam que é possível escutar o som do muro para se locomover? O que elas estão dizendo sobre a percepção? Sobre o corpo? Sobre o mundo? O mundo em que é possível ouvir o som do muro para se locomover com mais segurança é o mesmo mundo em que, ao ver o muro, nos desviamos dele?

            A história me convida a um esforço de determinação do mundo possível que ali se expressa. Um mundo possível no qual corpos humanos sejam capazes de ouvir sons de muros. Um mundo no qual é necessário que corpos humanos ouçam sons de muros para se locomover. Com esse argumento não procuro exprimir uma teoria biológica alternativa – no caso da cegueira a conhecida “teoria da compensação sensorial” – mas sim um uso diferenciado dos corpos. O argumento de que corpos que não enxergam podem escutar o som do muro – ou seja, de que corpos que não enxergam têm capacidades ou habilidades desenvolvidas de maneiras distintas daquelas desenvolvidas por corpos que enxergam – tem um substrato biológico – existe efetivamente uma diferença física entre ver e não ver – mas, também, diz algo sobre como o corpo está implicado no conceito de perspectiva – no ponto de vista – sobre o mundo.

            Olhos que não enxergam transformam o corpo de quem não enxerga, as propriedades e os usos que se confere aos objetos na vida de quem não enxerga, os sentidos que atribuem ao mundo. Estar lá, passar tempo com eles, conhecer sua casa, seus objetos, observar suas ações não me possibilitava entender completamente, porque não me possibilitava acessar corporalmente o estado do “estar junto”. Não me permitia entender as suas medidas ou os seus parâmetros, já que eram fundamentalmente diferentes dos meus e inacessíveis aos meus olhos.

            A estratégia de vendar os olhos nunca me daria acesso à experiência de ser cega, não me colocava nem perto dessa condição, especialmente se pensarmos nos seus aspectos sociais ou psicológicos. Mas vendar os olhos me permitia experimentar o mundo sem ver. Uma vivência essencialmente perceptiva, que me pareceu um requisito para a compreensão corporal dos significados e das formas desse estar no mundo. Os momentos em que estive de olhos fechados ao longo da pesquisa permitiram prestar atenção em atributos de objetos, sons significativos do ambiente, temperatura, textura, relação de proximidade e distância, temporalidade, sentido de direção, experiência do meu próprio corpo no espaço, de movimento, de locomoção, de comunicação, que eram substancialmente diferentes ao se estar de olhos abertos.

            No processo de habilitação uma pessoa é composta. Ela adquire capacidades, mas também incapacidades, por meio da transformação de quem ela é, do que o seu corpo é, do que o seu mundo é. Na reabilitação, que está mais presente na análise no segundo e quarto capítulos, aprende-se a utilizar um novo corpo para perceber proporções diversas para as coisas e saber emprega-las. Incorporação de novos jeitos no desempenho de tarefas conhecidas – colocar água num corpo, fazer comida, organizar o armário, escolher a roupa. Um dos pontos que me detenho na tese, especialmente no segundo capítulo, é descrever o fazer de reabilitandos com jogos, objetos e materiais na reabilitação, apresentando a natureza e o tipo de trabalho que pessoas com cegueira e o seu coletivo (humano e não humano) produzem para fabricar a si próprias como pessoas capazes. Apresento uma descrição do universo material da cegueira, procurando destacar seus valores diferenciais de uso e seus significados.

            Tanto as práticas formativas da reabilitação quanto práticas cotidianas de pessoas cegas são fonte de observação, participação e análise para entender as suas formas de saber-fazer e de conhecimento de mundo. As reflexões desenvolvidas tiveram o intuito de seguir práticas nas quais pessoas, corpos, sentidos, objetos, manuais, ambiente, dispositivos e estratégias são incorporados, treinados ou desenvolvidos para se viver com a cegueira. Tal conhecimento prático corrobora uma compreensão da cognição e do próprio corpo como estendidos, ao enfatizar o papel do ambiente e dos dispositivos no cotidiano de pessoas cegas.

            No terceiro capítulo volto minha atenção para as relações de interação entre as pessoas, especialmente a dimensão da comunicação, e levanto algumas implicações que um foco excessivo na funcionalidade, na educação de pessoas cegas, pode ter para sua expressividade corporal. Quais os efeitos advindos de uma interação que se baseia na dupla condição de ver e não ser visto / não ver e ser visto?

            Se os gestos, as mímicas ou as “caras” utilizadas pelas pessoas no dia a dia não podem ser apreendidos visualmente por pessoas cegas, a linguagem corporal, por meio do tato, possibilita esse aprendizado. Justamente espaços que rompem com as restrições sociais ao toque corporal permitem entrar em contato com esse reservatório gestual, através de oficinas artísticas ou teatrais que têm como proposta a pesquisa expressiva.

            O destaque ainda atribuído à linguagem verbal na educação de cegos como compensação social da cegueira parece ter como efeito colateral mantê-los apartados de todo um universo cultural expressivo e comunicativo. O foco na funcionalidade e no desenvolvimento motor, se por um lado privilegia a independência e a autonomia, por outro os afasta de um componente significativo da cultura atualizado nos corpos e nos movimentos. Desenvolver técnicas de imitação do movimento e a consciência da expressão corporal, de que cada parte do corpo pode ser um signo, mesmo quando o sentido visual não é preponderante ou é inexistente, é uma das contribuições substanciais que o teatro e a dança podem dar à educação ou reabilitação de pessoas cegas.

            A partir da impossibilidade do uso do olhar para se situar no espaço outras estratégias se apresentam para compor essa forma. O quarto capítulo tem como foco as representações espaciais e urbanas de pessoas cegas. Trazendo a situação de deslocamento como eixo, busco entender como se constroem seus itinerários urbanos, o que contribui para formarem suas representações dos lugares, os atributos experienciais que participam desse processo. Os atendimentos que acompanhei e o curso de formação que fiz em técnico em Orientação e Mobilidade são fontes de dados importantes, a partir das técnicas de uso da bengala e do treinamento corporal dos sentidos para a locomoção sem ver. Abordo o sentido de familiaridade ou distância dos trajetos, maior ou menor autonomia no deslocamento e ainda as relações com a cidade a partir das impressões sobre determinados lugares considerados turísticos. Trato das relações que se estabelecem no espaço público a partir do imperativo da ajuda. Procuro entender a importância e o lugar dessa dimensão no acesso de pessoas cegas aos territórios urbanos.

            No quinto capítulo elaboro uma reflexão sobre as relações de identidade e diferença na cegueira, mantendo como centro as trajetórias sociais dos pesquisados. Procuro tratar a problemática a partir de uma dupla entrada – existencial e social. Passando pelas representações culturais da cegueira, abordo as ocasiões sociais e as formas de lidar com a diferença em situações de interação em espaços públicos. Enfatizando os aspectos sociais, busco entender como a cegueira é vivida por quem nasce e por quem se torna cego, os pontos em comum e os distanciamentos dessas experiências. Por fim, faço um exercício analítico de pensar os binarismos, “nós” e “eles”, “normal” e “anormal”, suas possíveis desestabilizações e os processos de produção de diferença e de identidade na cegueira.

             Se ao longo da pesquisa estabeleci um movimento de pensar a cegueira contra um pano de fundo de visão, a ideia do capítulo final foi realizar uma mudança de escala e repensar a visão com a cegueira. Apresento as descrições de visualidade de suas cegueiras trazidas pelos pesquisados, trato dos sinais de fronteira, momentos de passagem entre mundos para quem vai perdendo a visão aos poucos, a relação dos pesquisados com suas memórias visuais, seus sonhos, percepção de cor e o imaginário sobre como seria enxergar. Abordo a variabilidade da visão a partir das descrições de mundo que pessoas que enxergam fazem para pessoas cegas.

            Ao problematizar a visão a partir da cegueira, esbarramos num ponto de encontro que pode ser condensado na palavra “imagem”. Num segundo momento deste capítulo a proposta é refletir sobre os processos de produção de imagens por quem não enxerga, imagens que não têm a visão como base, mesmo que em alguns momentos possam adquirir contornos que poderiam ser chamados de visuais. Encerro o capítulo – e a tese – com uma reflexão que aprofunda uma discussão iniciada ao longo de outros dois capítulos, sobre as formas de significação na cegueira e a perspectiva, ou o ponto de vista, da não-visão.

            Nesta tese, os olhos de quem não vê são tratados por mim muito mais como um equipamento distintivo, que dota aquele que não enxerga de afecções e capacidades singulares, do que como uma essência incapacitante de cegueira, representação projetada de corpos visualmente situados. Pessoas cegas são socializadas na mesma língua que pessoas que enxergam, compartilham valores, mas fazem muitas coisas de outro jeito. Desenvolvem um sistema de signos, uma semiótica humana, que é ao mesmo tempo e irrevogavelmente cultural e biológica. Suas formas de representação existem dentro de uma mesma fronteira biológica e simbólica que outras formas humanas majoritárias de representação, mas constituem uma semiose outra, mais suscetível às qualidades, aos eventos e às formas que estão no mundo. Mesmo que não seja uma língua propriamente dita, a cegueira é uma outra ordem sensorial, uma forma de estar no mundo com seus próprios sistemas de signo e representação. Esta pesquisa foi uma viagem a esse universo, uma tentativa de desvendar aquilo que não sabemos, mas que certamente podemos e devemos aprender com ele.

            No processo de como as coisas foram acontecendo ao longo da pesquisa e no modo como me propus compreender a percepção de mundo de pessoas cegas, encontro reverberações com um modo de realizar antropologia que vem sendo elaborado por Ingold – encarar o processo de conhecer como parte do processo de ser, o que ele chama de um comprometimento ontológico.

            Uma antropologia que está menos preocupada em descrever o mundo ou relatar acontecimentos passados, e mais preocupada em prestar atenção ao mundo e em aprender com as pessoas e com aquilo que está em volta delas. Uma antropologia na qual aprendemos dos outros e usamos esse conhecimento para caminhar juntos. Apresento na tese aquilo que aprendi com a cegueira. O que aprendi com textos de outras disciplinas, o que aprendi com profissionais que participam da habilitação de pessoas cegas e, principalmente, o que aprendi com as próprias pessoas cegas e suas formas de ser e de fazer. Seus conhecimentos incorporados, suas habilidades e suas formas de significação.

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