(1) Pierre Clastres, O Copérnico do Político, por André Magnelli

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Texto de André Magnelli

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Apresentação da Série

A série será uma breve introdução ao público à vida, à obra e ao pensamento do antropólogo francês Pierre Clastres, que é famoso dentre nós pela tese sobre as “sociedades contra o Estado”. São previstos cinco posts. No primeiro (1), que segue abaixo, o autor é apresentado de forma bem sucinta, qualificado por mim por dois provocantes epítetos: ele é, ao mesmo tempo, um “copérnico do político” e um “etnógrafo metafísico”. Em seguida (2), será apresentada a tese clastriana das “sociedades contra o Estado”, mostrando como ele a elabora rompendo com as pressuposições etnocêntricas dos estudos sociológicos e antropológicos sobre os fenômenos políticos, realizando, assim, o que ele mesmo denomina de uma “revolução copernicana” do político. No post seguinte (3), faremos uma exposição da sua interpretação da “filosofia da chefia indígena” e sua explicação de como o dispositivo das sociedades “arcaicas” é formado de modo que impeça o nascimento de um aparelho estatal diferenciado da sociedade. A partir de então, trataremos em dois posts da repercussão da obra de Pierre Clastres. Primeiramente (4), dedicaremos um post para mostrar como a filosofia e história do político, formulada nas obras de Claude Lefort, Marcel Gauchet e Miguel Abensour, se apropria da tese clastriana das sociedades contra o Estado a fim de construir uma investigação sistemática e histórica dos fenômenos políticos. Enfim, no último post (5), iremos apresentar reflexões críticas sobre a atualidade da tese clastriana a partir do farto material etnográfico produzido desde os anos 1980, sobretudo nos estudos ameríndios tão bem representados em nossas terras tupiniquins. Encerraremos a série assim discutindo com o que há de melhor na antropologia nacional que, representada por autores como Viveiros de Castro, Tânia Lima, Márcio Goldmann, Marcos Lanna e Renato Sztutman, mantém uma interlocução direta com o pensamento de Pierre Clastres.

A Vida de um Etnógrafo Metafísico [1]

Pierre Clastres formou-se em filosofia, tendo sido aluno e admirador de Gilles Deleuze. Frequentou, no início dos anos 1960, os cursos de Lévi-Strauss no Collège de France, o que o levou a uma conversão à etnologia em um processo de cinco anos (entre o início das aulas até a primeira etnografia). Uma conversão não apenas intelectual, mas também carnal, como diz Bento Prado Júnior: “É a história de uma conversão, de uma mudança de hábitos que não são apenas intelectuais, que atingem a carne da vida quotidiana em sua totalidade”.[2]

Tal como Lévi-Strauss, portanto, formou-se em filosofia optando pela etnologia; mas, contrariamente a ele, jamais renegou altivamente a reflexão filosófica[3], o que não apenas se manifesta no fato de ter sido leitor persistente de Carta sobre o Humanismo, de Heidegger, como também pode ser visto pelo ciclo de reflexão de sua obra: “saindo da filosofia, passando pelo trabalho etnográfico, lá descobrindo a articulação entre a ontologia do social e a reflexão sobre o Poder, ampliando o alcance teórico do primeiro na direção de uma crítica das ciências humanas, somos devolvidos às questões filosóficas da época”.[4]

Defendendo Clastres da crítica de José Arthur Giannotti, que dissera, aludindo a Fernando Pessoa dos versos de Tabacaria[5], que Clastres fazia às vezes filosofia como se estivesse comendo chocolate, Bento Prado sintetiza magnificamente qual era a forma de passagem da etnologia à filosofia na reflexão clastriana, em oposição àquela tradicionalmente presente na filosofia e bem expressa nos trabalhos de Giannotti (que, contudo, está longe de ser um filósofo sem interlocução com as ciências sociais):

Em Clastres não encontramos nenhuma ontologia a priori da produção [ao contrário de Giannotti]. Mas, como diria Wittgenstein, nos limites de seu trabalho etnográfico, algo de metafísico deixa-se ver ou mostrar. […] Mais que uma metafísica positiva, uma metafísica interrogativa. Interrogações essenciais que não poderiam emergir senão da experiência etnográfica, que seriam inacessíveis para um armchair philosopher, para usar a expressão de sir Bertrand Russell, contra os filósofos da “virada lingüística”. Giannotti, que não é etnólogo, só percebe as conseqüências filosóficas do trabalho, sem se reportar à base sólida de que derivam. Sinceramente prefiro o movimento regressivo, que nos leva do fato às suas condições formais ou transcendentais. Parece-me perigoso o caminho inverso, da dedução ao empírico, ou seu enquadramento autoritário num esquema prévio desenhado pela imaginação especulativa: por exemplo, algo como a “forma lógica” da práxis em sua mais abstrata generalidade. Quando se trata de pensar sociedades ou a História, então….[6]

Politicamente, sempre foi gauchiste, tendo sido membro da Union des Étudiants Communistes e leitor de Socialisme ou Barbarie, mas rompeu com o comunismo no início dos anos 1960, o que, para François Dosse, é a principal razão de sua conversão à etnologia, em uma decisão intelectual compartilhada por Alfred Adler e Lucien Sebag. Para alguns intérpretes, ele se torna, a partir de seus trabalhos antropológicos, um representante maior do anarquismo da metade do século, constituindo uma “antropologia anarquista”.[7] Há controvérsias, contudo, quanto ao seu anarquismo político, ou às leituras de Sociedade contra o Estado como sendo uma justificação antropológica do anarquismo[8]; de todo modo, seu suposto anarquismo é reforçado pela interpretação clastriana de La Boétie, por ter sido colaborador de uma enciclopédia anarquista italiana nos anos 1970 e, principalmente, pelo seu modo de vida: “sua personalidade, seu estilo inquieto, uma espécie de anarquismo não somente pensado mas vivido”.[9] Que se combinava perfeitamente com um revolucionarismo embebido de humor: “Lembro-me de uma curiosa frase dele – de sabor kantiano –, em que dizia ‘a revolução é impossível, mas devemos agir como se não o fosse’”.[10]

No Brasil, foi professor do Departamento de Ciências Sociais da USP por volta de 1967[11], mas no ano seguinte já estava em Paris levantando barricadas da revolução de 1968.[12] Na França, participou do círculo intelectual saído da extinta Socialisme ou Barbarie (Lefort, Castoriadis, Gauchet e Abensour), integrando o núcleo da revista Libre, por convite de Gauchet.[13] Foi membro do prestigioso Laboratoire d’Ethnologie Social dirigido por Lévi-Strauss, mas, tendo entrado em conflito direito com o chefe, teve que abandoná-lo. Tornou-se pesquisador do CNRS em 1974 e, no mesmo ano, tornou-se diretor de estudos da Va seção da École Pratique des Hautes Études (EPHE), lecionando seminários que serão frequentados pelo filósofo Marcel Gauchet.

Lutador de katarê e aparentemente homem de poucos medos, morreu infelizmente muito cedo, aos 43 anos, vitimado por um acidente de carro, o que o impediu que aprofundasse a revolução copernicana da reflexão política por ele iniciada.

Obra e Repercussão

Por causa da morte precoce, sua obra é pouco extensa. Como resultado de sua primeira etnografia entre os índios Guayaki, do Paraguai (1963-4), feita em parceria com sua esposa, Helène Clastres, defendeu uma tese sobre A Vida Social de uma Tribo Nômade: os Índios Guayaki do Paraguai (1965), na Sorbonne, publicando, com base nela, seu primeiro livro em 1972.[14] Fez, em seguida, trabalhos de campo com os Guarani (1965-6)[15] e com os Chulupi (1966-8), ambos no Paraguai. Retorna, posteriormente, ao campo nos anos 1970, entre os Yanomami na Amazônia venezuelana (1970-1) – juntamente com o discípulo de Lévi-Strauss Jacques Lizot[16] –, e, em seguida, entre os Guarani de São Paulo (1974).[17] Das investigações deste período, principalmente sobre os Yanomami, resultaram os escritos compilados postumamente, que marcam o que podemos considerar uma segunda fase, em que surge a guerra como um fato social positivo e o projeto de uma “arqueologia da guerra e da violência”.[18]

Apesar da obra inacabada, herdeiros não faltaram, nem mesmo repercussões significativas de sua obra sobre a antropologia contemporânea mundial e brasileira[19], presente inclusive no trabalho do herdeiro, autoproclamado “inconstante”, Eduardo Viveiros de Castro.[20] Ele tornou-se responsável pela renovação da antropologia política com sua tese sobre a forma de organização política dos ameríndios, em que muda os termos nos quais a etnologia e as ciências sociais em geral se dedicaram à investigação do espaço do político, que tem no centro a questão do poder.[21]

A nova forma de reflexão já se apresenta desde o início dos anos 1960 numa série de artigos, a começar pelo inaugural, que é curiosamente anterior à sua partida ao campo no Paraguai, escrita pelo conhecimento adquirido pela leitura do Handbook of South-American Indians e dos cronistas do século XVI e XVII (Léry, Thévet, Staden, D’Évreux, d’Abbevilles)[22]: Troca e poder: Filosofia da Chefia Indígena, publicado em 1962.[23] Com ele, Clastres transforma em um problema a ser investigado positivamente aquilo que classicamente se colocou como sendo apenas uma determinação negativa, como falta ou ausência, a saber, a ausência de Estado nas sociedades ditas arcaicas. Ao invés de considerarmos as sociedades sem Estado como sociedades “pré-políticas”, Clastres propõe que a ausência de um aparelho de poder diferenciado da sociedade é uma marca de como tais sociedades politicamente recusam o Estado: são, portanto, contra o Estado. 

No próximo post, veremos como tal tese das sociedades contra o Estado é construída e contra quem ela se volta em defesa de uma “revolução copernicana” da reflexão política.

Notas

[1] Tendo em vista a presença de boas apresentações à obra de Clastres feitas por alguns dos principais antropólogos brasileiros, contento-me com uma brevíssima apresentação.

Uma longa entrevista de Clastres à Revista Anti-Mythes, feita logo após a publicação de Sociedade contra o Estado, em 1974, que foi publicada felizmente na recente tradução brasileira, serve de uma boa apresentação de Clastres por ele mesmo: CLASTRES, P. ScE, “Entrevista com Pierre Clastres”, p.235ss. Felizmente, sob direção de Abensour, que se publicou a única compilação de artigos, até onde eu sei, dedicados à obra de Clastres, com capítulos de Miguel Abensour, Claude Lefort, Marc Richir, Luc de Heusch e vários outros: ABENSOUR, M. (ed.). L’Esprit des Lois Sauvages: Pierre Clastres ou une Nouvelle Anthropologie Politique. Paris: Seuil, 1987. Ver para a apresentação da obra: ABENSOUR, M. “Présentation”, ibid.

No Brasil, com as publicações dos livros de Clastres pela Cosac & Naify, temos o prefácio a Sociedade contra o Estado feita pelos antropólogos Tânia Lima e Marcio Goldmann – LIMA, Tânia S.; GOLDMAN, M. “Prefácio”, in ScE –, o posfácio escrito por Eduardo Viveiros de Castros e o prefácio de Bento Prado Júnio escritos para de Arqueologia da Violência – VIVEIROS DE CASTRO, E. Posfácio. Intempestivo (ainda), in AdV; PRADO Jr., BENTO. Prefácio, in AdV. Por fim, temos a ótima entrevista de Bento Prado Jr. que se seguiu às publicações: LEIRNER, P. de., TOLEDO, L. H. de. “Lembranças e Reflexões sobre Pierre Clastres: Entrevista com Bento Prado Júnior”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2004, v.46, n.2, p.4. No final de ScE e AdV temos a bibliografia completa de Clastres e a relação bibliográfica dos comentadores. Sobre a parte da obra que nos interessa, a das teses sobre sociedade contra o Estado, contento-me em fazer algumas indicações, destaco que o eminente antropólogo francês Philippe Descola escreveu uma importante crítica baseada em seu vasto conhecimento etnográfico ameríndio: DESCOLA, Ph. “La chefferie amérindienne dans l’anthropologie politique”. Revue Française de Science Politique, 38 (5), p.818-827, 1988. E também os artigos de Lefort e Gauchet sobre o autor: LEFORT, Cl. “L’oeuvre de Clastres”, in ABENSOUR, M. (ed.). L’Esprit des Lois Sauvages, republicado em LEFORT, Cl. EPdP.

[2] LEIRNER, P. de., TOLEDO, L. H. de. “Lembranças e Reflexões sobre Pierre Clastres: Entrevista com Bento Prado Júnior”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2004, v.46, n.2, p.4, p.438.

[3] A questão da renegação da filosofia por parte de Lévi-Strauss é polêmica. Para Bento Prado, Lévi-Strauss considerava que a passagem pela filosofia era uma carga inútil, no que lembra da passagem de Tristes Trópicos, em que Lévi-Strauss critica as manobras retóricas tão fáceis de serem manipuladas por ele próprio em tempos de estudante, bem como do final de Totemismo Hoje, em que o antropólogo estabelece uma equivalência entre as descobertas de Bergson e o pensamento selvagem: “a filosofia sempre estará ligada à filosofia praticada na universidade, ao vazio das “dissertações”, em que era possível demonstrar tudo ou nada por meio de uma dialética puramente abstrata – no fundo, era retórica. Para Lévi-Strauss tudo se passa como se a filosofia fosse essencialmente uma ilusão, ou uma forma pobre do pensamento selvagem. É o que se pode, talvez, vislumbrar num parágrafo muito curioso de Totemismo hoje. Em certo momento desse livro, ele sublinha como alguns textos de Bergson são esclarecedores para a compreensão da mitologia de uma tribo indígena da América do Norte. Esclarecedores, porque mostrariam uma afinidade profunda com essa mitologia. Bergson, penseur sauvage…Sendo capaz de explicar a mitologia, o antropólogo explica também a metafísica bergsoniana” (LEIRNER, P. de., TOLEDO, L. H. de. “Lembranças e Reflexões sobre Pierre Clastres: Entrevista com Bento Prado Júnior”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2004, v.46, n.2, p.4, p.429). Podemos lembrar aqui da brilhante tese de Ricardo Jardim de Andrade, que mostra que a “filosofia estruturalista” do antropólogo faz um tributo ao positivismo que a cega à riqueza filosófica presente em seu método: JARDIM ANDRADE, R. Le structuralisme et la question du sujet: la formation du champ sémiologique. Lille: ANRT, 2000.

[4] PRADO Jr., BENTO. Prefácio, in AdV, p.11.

[5] Refere-se ao seguinte trecho de Tabacaria:

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

[6] LEIRNER, P. de., TOLEDO, L. H. de. “Lembranças e Reflexões sobre Pierre Clastres, p.432.

[7] Um exemplo de tal tipo de interpretação pode ser encontrado em: MOATI, Yoram. Pierre Clastres et l’anthropologie anarchiste, Alternative Libertaire, n°228, mai 2000.

[8] Gauchet diz que Clastres brincava com o fato de algumas pessoas interpretarem Sociedade contra o Estado por um viés anarquista.

[9] LEIRNER, P. de., TOLEDO, L. H. de. “Lembranças e Reflexões sobre Pierre Clastres”, p.431.

[10] ibid, p.428.

[11] Infelizmente não tive a informação exata da data de quando ele foi professor da USP. Mas não considero tal lacuna grave, uma vez que, como relata Bento Prado Jr., nem ele, nem Helène Clastres, se recordam exatamente da data. LEIRNER, P. de., TOLEDO, L. H. de. “Lembranças e Reflexões sobre Pierre Clastres”, p.425-6.

[12] Segundo relato de Bento Prado Jr.: ibid, p.426.

[13] A respeito disso, ver capítulo sobre Gauchet de minha tese de doutorado: MAGNELLI, André. Na Carne do Social, IESP-UERJ, 2015.

[14] CLASTRES, P. Crônica dos índios Guayaki: o que sabem os Aché, caçadores nômades do Paraguai. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995 [1972]. Mesmo sob oposição de Clastres, os Guayaki serão genocidados em 1972.

[15] É a partir da etnografia dos Guarani que ele compila os cânticos aos deuses: CLASTRES, P. A fala sagrada: mistos e cantos sagrados dos índios Guarani. Campinas, SP: Papirus, 1990 [1974] (o original do francês tem título : Le Grand Parler).

[16] Discípulo e principal informante de Lévi-Strauss em terras brasileiras, tendo sido responsável pela gramaticalização e dicionarização da língua dos Yanomami, Lizot se tornou também personagem de um escândalo sexual, recentemente exposto no escandaloso documentário, produzido por José Padilha: Segredos da Tribo (2010).

[17] Os Guarani de São Paulo são, na verdade, sobreviventes das migrações religiosas que remontam ao início do século XX vindos do Paraguai. Helène Clastres, de seu lado, publicou um clássico estudo sobre o profetismo tupi-guarani que surgiu nesse período, que deve ser estudado juntamente com os escritos de Pierre: CLASTRES, H. La terre sans mal. Le prophétisme Tupi-Guarani. Paris: Seuil, 1975.

[18] No título da tradução para o português do ensaio póstumo, fica claro o projeto empreendido por Clastres na sua última fase e que foi tragicamente interrompido. A compilação francesa intitulada Recherches de Anthropologie Politique ganhou o título português: CLASTRES, P. Arqueologia da violência: estudos de antropologia política. São Paulo: Cosac & Naify, 2004 [1980].

[19] Sobre o debate brasileiro em torno de Clastres, temos os seguintes artigos: BARBOSA, G. B. “A socialidade contra o Estado: a antropologia de Pierre Clastres”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2004, v.47, n.2; GOLDMAN, M. “Pierre Clastres ou uma Antropologia contra o Estado”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2011, v.54, n.2; LANNA, M. “As sociedades contra o Estado existem? Reciprocidade e Poder em Pierre Clastres. MANA 11(2):419-448, 2005; LIMA, Tânia S. “O dois e seu múltiplo: Reflexões sobre o Perspectivismo em uma Cosmologia Tupi”. MANA 2(2):21-47, 1996; id. “Por uma Cartografia do Poder e da Diferença nas Cosmopolíticas Ameríndias”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2011, V. 54 Nº 2; PERRONE-Moisés; SZTUTMAN, R. “Metamorfoses do Contra-Estado. Pierre Clastres e as Políticas Ameríndias”. Ponto Urbe, 13, 2013; SZTUTMAN, R. “Religião Nômade ou Germe do Estado? Pierre e Helène Clastres e a Vertigem Tupi”. Novos Estudos Cebrap, 83, março de 2009.

[20] Viveiros de Castro se considera um “admirador inconstante” de Clastres (VIVEIROS DE CASTRO, E. A inconstância da alma selvagem e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac & Naify,2002, p.472), provavelmente tão inconstante, ou mais, quanto o é de Lévi-Strauss.

[21] CLASTRES, P. “Copérnico e os selvagens (1969)”, in CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac & Naify, 2003, p.23.

[22] ABENSOUR, M. Présentation, p.7, in L’Esprit des Lois Sauvages: Pierre Clastres ou une Nouvelle Anthropologie Politique. Paris: Seuil, 1987.

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